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Arquivo da Categoria 'Transparências'

Para (o) além de…

Ontem (dia 23 de Fevereiro de 2008) encontrava-me num hospital do nosso país para realizar um insignificante curativo, quando assisti em directo, ao segundo, o fim da vida de uma pessoa anónima numa das enfermarias.

As máquinas que o ligavam foram acusando o fim da reacção daquele corpo, provavelmente, já cansado pelo tempo, pela vida, pelo sofrimento que teve…

Recordo-me agora do braço que descaíu, ficando suspenso e dos olhos que se fecharam para as coisas visiveis que o rodeavam.

Parece um testemunho mórbido e frio estas palavras que aqui escrevo. E de facto é! Nunca tinha visto nem vivido uma experiência destas. Permaneci imóvel, até curiosa assistindo quase indiferente aos momentos seguintes.

A viagem que fiz de regresso a casa foi silênciosa, espiritual, de reflexão…

O que se sente antes de morrer? Ou ainda, sentir-se-á que se está a morrer? E aquilo que chamamos alma, existirá de facto? Haverá uma fragmentação do físico e do metafísico? Tenho tantas dúvidas… Sinto-me tão desprovida de Fé e de Espiritualidade. Abracei a Racionalidade e até a morte passou a ser um estado comum. No entanto, tenho medo que ela se torne minha amiga…

Haverá maneira de termos uma vida intemporal e plena?

“Se eu fosse…”

De repente parei para reflectir nos pensamentos que trazia… E pensava em alguns momentos da minha escola primária!!!

É verdade!

É provável que as pessoas da minha geração (que não é assim tão avançada!!!) ainda se lembrem do tempo em que fazíamos composições cujo início era dado pela professora e era qualquer coisa assim:

- “ Se eu fosse…” E todas as semanas éramos personificações diferentes, desde as mais utópicas até aquelas mais simplistas e, quem sabe, realistas.

A magia dessas ditas composições não era de todo se, algum dia seria possível realizar tais desejos, até porque com os nossos tenros sete, oito anos nem pensávamos nisso, a magia residia no facto de pensarmos se fossemos algo diferente do que somos, como quereríamos que o mundo fosse e como ele próprio se ajustaria a nós.

E então um dia éramos borboletas e o mundo seria sol e flores…

No dia seguinte éramos extraterrestres que vivíamos em mundos longínquos com naves estranhas e tínhamos antenas e muitos olhos, mas de vez em quando fazíamos férias na Terra…

Até que um dia foi o último dia destas tão sublimes redacções. Sim!!! Na altura não lhe chamávamos composições, mas sim redacções…(Lembrei-me agora…)

E foi essa última que ficou no pensamento: “Se eu fosse…uma palavra apenas. O que seria?”

Parece fácil…E era naquela altura. Hoje, sem dúvida, não o é!

Teríamos tanta escolha que nenhuma seria verdadeiramente aquela que nos satisfazia…

Não adianta pensarmos numa palavra sonoramente bonita, apelativa na escrita, com significado profundo, porque haveria sempre uma que dizia algo mais e que por algum motivo nos tinha marcado…

Neste momento eu própria não saberia que palavra escolher, mas há muitos anos atrás, com a ingenuidade da idade, aquela que escolhi foi tudo para mim, tão simples, tão curta, com tanto significado, a razão de tudo o que cada um de nós é…

Fiquei tão feliz por ter encontrado alguns dias atrás o meu caderninho das redacções…

Fiquei ainda mais feliz pela escolha que fiz naquela altura!

Amigos leitores, não pretendo revelar a minha escolha, mas desafio a pensarem nisto, e quem ler este texto, se quiser partilhe connosco uma palavrinha mágica…aquela que nos faz pensar!

As tuas palavras estão em mim

Perseguem-me e ouço-as como sinos a ressoarem

Não dizem nada de novo,

Mas desta vez magoaram profundo e estou desfeita…

Estou mesmo!!!

Sinto-me sem rumo…

Estou aqui e já não consigo mudar nada em mim

Nem à minha volta.

Não vou pedir socorro,

Chorar?? …não prometo que não o faça!

Não estou preparada para os dias sem fim,

Não estou confiante na força que parecia ter

Já não acredito nos carinhos nem emoções

Já não tenho certeza de te querer por perto

Quero voltar ao meu mundo,

Àquele que é só meu, sem ninguém!

Não quero acordar amanhã!

Mas se estiver acordada,

Não vou ser eu,

Vou sorrir em vez de chorar,

Vou falar para não estar calada,

Mas vestirei de vermelho

Para sentir que no meu corpo

Ainda corre o sangue

Que me trará mais uma vez à vida…

Melhorar ou Mudar???

Lemos tantas coisas durante o dia e tantas são absurdas e inacreditáveis, que a nossa memória envia quase todas para a reciclagem do nosso pensamento.

No entanto, ontem deparei-me com uma frase de alguém que me absorveu uns bons minutos do meu tempo. Eis a frase e o autor:

 

Eu não posso afirmar que as coisas vão melhorar se nós mudarmos; o que eu posso afirmar é que para que elas possam melhorar, nós temos que mudar!

(Escrito por Lichtemberg).

 

Quando li confesso que pensei que seria mais um daqueles pensamentos que parecem trocadilhos de palavras ou antíteses. Porém, decidi despender algum tempo a reflectir nas entrelinhas do pensamento.

E então descobri para mim própria uma verdade intemporal: se nós mudarmos nas nossas pequenas atitudes diárias, de modo a sentirmo-nos melhor connosco e com quem nos rodeia, inevitavelmente, estamos a melhorar a nossa vida, a nossa relação com o nosso eu, (que por experiência própria vos partilho que é uma luta muito complexa), e a melhorar a relação e as vivências com o mundo lá fora.

Desenganem-se quem pensa que é fácil resolver esta dicotomia Melhorar/Mudar. Não há funções matemáticas para modelação destas situações tão reais, não há receituários nem posologias com tratamentos de resultados previsíveis, nem há teorias nem sofás de psicólogos que ressuscitem recalcamentos que os tratem de forma natural.

O que há…

são vontades intrínsecas em cada um de nós,

o que há…

são pequenos momentos em que a lucidez da realidade se confunde numa loucura saudável.

 E nesse momento acreditamos que a nossa vida já está a melhorar porque nós também estamos a mudar. Ou será que a vida é que está a mudar porque nós nos sentimos melhor???
Não sei!!!! E continuarei sem saber!!!

Mas posso afirmar que o equilíbrio e a paz que procuramos diariamente são o elixir para a realização pessoal e profissional. O resto é VIVER…

 

 

 

É Natal…

Noite mágica que se aproxima

Luzes e estrelas brilham na terra e no céu…

Os anjos cantam aleluia

Para aquecerem o meu mundo que é teu…

A fogueira já se acendeu

E a sala começa a colorir

A alegria das crianças é linda

Que esperam o Pai – Natal vir…

Os adultos desejam boas festas

Fingindo que o mundo está ideal

Compram-se as prendas efémeras

Num frenesim nunca igual…

Lá fora, o frio mostra que é rei

Como na noite de Belém…

Nos dias de hoje pensamos

Amor e a amizade aquecem também!

Mensagens, e-mails e (poucos) postais

Andam a navegar por aí,

Tantas repetidas e tão poucas originais

Chegam a mim e a ti…

Mas ainda bem que existe esta noite,

Em todos os cantos do mundo,

E que o próprio Menino Divino

Faça este ano um milagre profundo.

Se as palavras tão sem jeito que escrevo

Valessem alguma fortuna

Pediria aos senhores do mundo

Que aliviassem a fome inoportuna!!!!

Pensemos em tantos seres sem nada

Feitos da mesma alma que eu e todos vós

Esqueçamos por um momento o que temos

E elevemos bem alto a nossa voz…

Espero e desejo ver muitos sorrisos

Nesta época tão especial!!!

Um beijinho grande no coração

E a todos um Bom Natal!

Natal

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