Para (o) além de…
by elzasilva on Fevereiro 24, 2008
Ontem (dia 23 de Fevereiro de 2008) encontrava-me num hospital do nosso país para realizar um insignificante curativo, quando assisti em directo, ao segundo, o fim da vida de uma pessoa anónima numa das enfermarias.
As máquinas que o ligavam foram acusando o fim da reacção daquele corpo, provavelmente, já cansado pelo tempo, pela vida, pelo sofrimento que teve…
Recordo-me agora do braço que descaíu, ficando suspenso e dos olhos que se fecharam para as coisas visiveis que o rodeavam.
Parece um testemunho mórbido e frio estas palavras que aqui escrevo. E de facto é! Nunca tinha visto nem vivido uma experiência destas. Permaneci imóvel, até curiosa assistindo quase indiferente aos momentos seguintes.
A viagem que fiz de regresso a casa foi silênciosa, espiritual, de reflexão…
O que se sente antes de morrer? Ou ainda, sentir-se-á que se está a morrer? E aquilo que chamamos alma, existirá de facto? Haverá uma fragmentação do físico e do metafísico? Tenho tantas dúvidas… Sinto-me tão desprovida de Fé e de Espiritualidade. Abracei a Racionalidade e até a morte passou a ser um estado comum. No entanto, tenho medo que ela se torne minha amiga…
Haverá maneira de termos uma vida intemporal e plena?
2 comments
Intemporal? Plena?
Qual é o nosso entendimento dessas duas palavras? Depende do ponto de vista e muitas vezes daquela força que ora está / não está dentro de nós.
by mjlobato on Fevereiro 25, 2008 at 11:42 pm. #
Intemporal porque sinto que não terei tempo (e provavelmente ninguém terá) para fazer, realmente na única oportunidade de vida que conheço, todas as coisas que valem a pena serem feitas e depois contempladas…O tempo é escasso…
Plena…porque na minha experiência pessoal sacrifico tanto o que deveria ser natural e valorizo (o que tem valor)mas por mais que lute (justamente) não alcançarei…
by Elza Silva on Fevereiro 25, 2008 at 11:53 pm. #